quinta-feira, 15 de março de 2012

Saimos na revista meu bebê

Língua Estrangeira:

A criança e o processo de aprendizagem

Diversas pesquisas realizadas por neurolinguistas, lingüistas e psicólogos oferecem uma série de possíveis explicações em torno da habilidade da fala. Segundo esses estudos, parece não haver mais dúvida de que existe uma idade crítica apontada como limite, a partir da qual o aprendizado de línguas começa a ficar mais difícil. Tudo indica que este período situa-se em torno dos doze anos de idade. Portanto, quanto mais jovens, maiores as probabilidades das crianças captarem os sons de outras línguas – tanto a possibilidade de pronunciar mais corretamente esses sons quanto na de distinguir determinados fonemas de uma para outra língua. Caso contrário, o cérebro vai deletando as informações e, no futuro, terá dificuldade para imitar determinados sons, perdendo a capacidade de reproduzi-los da forma ensinada. Em suma, quanto mais tarde a pessoa exposta a um segundo idioma, mais difícil se torna a aprendizagem correta da pronúncia, e o ritmo da fala pode perder completamente a cadência adequada.


É inegável que haja aprendizagem mesmo com idade bastante avançada, mas devem-se considerar fatores como objetos e expectativas na absorção de uma nova língua, bem como o contexto onde o ensino acontece, levando-se em conta os diversos níveis de dificuldades. De acordo com vários pesquisadores, até os três ou quatro anos de idade a criança, quando exposta aos fonemas de uma língua ou qualquer série de sons diferentes, os absorverá com mais facilidade que pessoas com idade mais avançada.


Mesmo ainda muito jovem, antes dos cinco anos, a criança já conhece bastante o complicado sistema gramatical da língua. Antes dos dois anos a criança elabora sentenças, forma frases usando sintaxe, fonologia, morfologia, semânticas e regras gramaticais. Ninguém ensina as regras fonológicas, morfológicas, sintáticas e semânticas à criança. Ninguém a orienta dizendo “forme a sentença acrescentando um verbo, um nome, um adjetivo”. Naturalmente, ela usa sua competência lingüística internalizada para construtir a gramática da língua que ouve.


Não são apenas fatores de ordem biológica que influenciam no aprendizado de um língua estrangeira. Fatores de ordem psicológica e afetiva também podem causar impacto direto na capacidade de aprendizagem. O adulto é mais tolerante com ambiente formal e artificial da aprendizagem. Diferentemente, a criança necessita de um ambiente mais próximo do natural para que sua concentração não entre em estresse, o que pode acabar limitando o inibindo seu contato como outras línguas.


O adulto tende a apresentar maiores problemas causados pela ausência de motivo espontâneo, fator preponderante na criança. A resistência são fatores que influenciam negativamente no processo de aquisição do novo idioma.


O adulto não possui a curiosidade e o desprendimento da criança. Ao se preocupar com sua própria imagem e com a possibilidade de cometer deslizes e erros, peca quanto à expectativa de resultados, o que o impede de usufruir, de maneira natural, do ambiente e da língua que o cerca.


Portanto, ao ministrar aulas de língua estrangeira para crianças, deve-se proporcionar um ambiente tal que a aquisição ocorra de maneira natural. É como brincar com um bebê. Ele passa a prestar atenção aos sons quando começa a balbuciar ba, ba, da, da...A partir daí está treinando os fonemas básicos da língua. Assim como o primeiro contato com a Língua Materna se dá por meio da mão, o primeiro contato com a Língua estrangeira, na maioria da vezes, se dá por meio do/a professor/a. Ao que parece, ambos têm um poder decisivo para o futuro da língua, que pode resultar numa comunicação apropriada que transmita senso de lógica e causalidade.


Por todos estes motivos, realçamos a importância dos pais proporcionarem aos filhos a oportunidade de aprenderem uma ou mais línguas estrangeiras na primeira infância e que a escolha da escola de idiomas seja cuidadosa e consciente.


Cláudia Mol – Professora de Inglês da Blue Bell



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